quinta-feira, 8 de novembro de 2012

VAZIO DE ALMA


                  O dia de hoje foi feito de mergulhos
               no mar da distância e da saudade,
               enredado na seda que não queria quebrar
               a união da presença.

               Em casa encontrei o vazio e o cansaço.

               E uma dor molhada subia no peito e
               desaguava pelos olhos fora
               em sulcos a que o rosto cedia.
               Não sei se era mar se fonte
               mas a boca sabia-me a sal.

               O gesto de asa que perpassava pelo ar
               tinha a força subtil de uma presença
               etérea e real.
               Era um voo solidário
               E eras tu, meu Amor.

               Tentei escrever o dia inteiro
               mas a tormenta não mo permitiu.
               A liberdade soltou-se na voz
               nas palavras do outro lado da rua.
 
                                                          lia mar


8 comentários:

  1. Respostas
    1. São desabafos que às vezes não podem ficar dentro de mim.
      Mas não poetisa. Que responsabilidade se me sentisse como tal...

      Eliminar
  2. Belíssimo. Estou tentando imaginar o que seria se a "tormenta" lhe tivesse permitido escrever o dia inteiro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eheheheheh!!! Pura e simplesmente, não escreveria nada.

      Eliminar
  3. A tua veia poetica não deves guardá-la só para ti pensa em publicar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Veia nem sempre transporta sangue em corrente. E eu sou simplesmente, às vezes, escrevedora de coisas que são muito pessoais.

      Eliminar
  4. ola lia do dia maritimo
    o dia de hoje trouxe "vazio de alma"? espero que o de amanha lhe traga a alma cheia continue com o perfume da sua maresia
    até sempre fa matos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O vazio de alma não escolhe dia. E hoje não trouxe, certamente. Mas a vida traz momentos de fuga e de vazio.
      Continue à descoberta das coisas vivas, ainda que olhares menos atentos passem ao lado.

      Eliminar