quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

CASUAL...


Mão esquerda sobre o peito
atenção leve                                             
passos tranquilos.
Atravessa o espaço amplo
do paralelo muito usado.

Rosto!? - Trigueiro
macerado pela vida.
Nem alegre nem triste.
Nem calma nem revolta.

É simplesmente
um homem que
atravessa o espaço amplo
do paralelo muito usado.

                        lia mar


HOMENAGEM TERNA


Onde vais reizinho querido
Agarrado ao teu balão?                  
- Vou procurar um amigo
A quem possa dar a mão.

O asteróide que buscas
É sem dúvida pequeninho.
- É o seu brilho que ofusca
É um espaço de carinho.

Nessa outra Galáxia, diz-me
Que coisa vês que te encanta?
- Sinto-me livre e sou firme.
O amor é uma constante.

- É a paz, é a alegria
O embalar de uma música
É a justiça, é a harmonia
Tanta beleza única!



  - O meu balão amarelo
  Não o largo, é a minha luz.
  É frágil, muito singelo.
  Com ele a vida reluz.

  
- Quero viver a sonhar
  Não fico agarrado ao chão.
  Meu coração a voar
  São trinados de canção.

                                                                lia mar
                                                                    (A alguém muito querido)

domingo, 27 de janeiro de 2013

NA MARGEM

                                                         

  Na margem do rio ausente
 vagueio silenciosa
 atónita, sem rumo
 ao sabor da brisa quente
 do sol seco que arde.
 Onde me levam meus passos? 
 Onde termina a margem?
 Haverá outra margem para
  além da margem?
                                                                             Outro rio? Ausente?

                                                                                        lia mar
                                                      




domingo, 20 de janeiro de 2013

TEMPO SEM TEMPO


Amar não é hoje, não foi
ontem, não será amanhã.          
Amar é o agora na
espontaneidade do querer
no desejo apetecido vivido no
sentimento do prazer da dádiva  
da alegria do sorriso mútuo
das carícias de seda rubra
na pele sedenta.
E as mãos se deleitam
na viagem de embalar.
Um voo estonteante
de corpos que se fundem.

                       lia mar

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

UM HOJE DE POETA


Quero um hoje de poeta que me toca
Me aquece com seus braços
Me lava com seus beijos
Me descobre com leveza
Me perde. Me encontra
Me afaga com suas mãos peregrinas
Me alegra com seu sorriso de menino
Me diverte com suas histórias
Me sente os olhos da alma
Me queima com seu olhar
Me adormece com seus poemas
Me acorda com suas carícias
Me ama com volúpia
Me sente naquele nicho de mar
Me leva em voos infinitos...

Quero um hoje real.

                                lia mar

O CAVALINHO


O cavalinho nasceu das mãos
e do coração da Sarah.
Cresceu! Cavalgou a terra
mágica do mundo.
Voou sobre o mar
à luz do luar.
Eu tive a sorte de o encontrar.

Galopa o cavalinho
pela verdura do bosque.
De crina levantada
arrebatada para trás
e cauda plena esvoaçando
ao vento.
Sereno, na pradaria
troteia a verde música.
Parece sorrir o cavalinho!
Manso o olhar...
Reflecte a pura liberdade.

                        lia mar 
                (À minha amiguinha Sarah)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ESTE É O DIA


Este é o dia luminoso e intenso.
É o dia que emergiu da noite longa da espera.  
Cresceu dos afagos de alma
que fluíram na torrente enérgica do cosmos.

É o dia do olhar profundo
dos braços enlaçados
num só sentir
num só corpo
na universalidade da vida.

                                  lia mar


BUSCO A CLARIDADE

                                                                         
                                                        

           Busco a claridade na  
           bruma do tempo.
           O cinzento dói.
           Onde olhar as cores
           do arco-íris?

           O mar alonga a distância
           do dia que tarda…

                                                                                                                                                                                                                               lia mar
                                                                                                                

OLHAR DOCE



Olhar doce.

Olhar penetrante.

Vai pelo mundo dentro…        

Enxerga o ponto infinito

do ser onde o sentir se

confunde com a verdade.

Onde o eu é só eu.

Inteiro e nu.



Do cosmos sabes escutar

os sons que matizam

a existência:

        sons mágicos

        sons magoados

        sons que rompem o silêncio

        numa explosão de vida.


Sente-a! Agarra-a!


Deixa que te envolva

como se fosse um fio

pelo qual respiras

e com ele escolheres

bordar o teu coração.



                                 lia mar
                     (A alguém muito querida)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

TEIA DE ARANHA


Teia de aranha!
Um emaranhado sem saída.                                    
Um desconforto sem limite.
Uma prisão que prende,
agrilhoa até aos ossos.
Dilacera a alma.

Querer abrir os braços
e não os poder mexer.
Querer dar um passo
em frente e permanecer
imóvel, agarrado ao chão.
Querer respirar e o ar se 
adensar em negra nuvem.
Um mortal sucumbir
lento, em declínio.

Num desespero de querer 

viver, romper as grilhetas
um súbito e angustiante: 
UAU!

                         lia mar

sábado, 5 de janeiro de 2013

ESCADAS DA MINHA VIDA



Escadas... quantas subi deslumbrada!
Íngremes, suaves, rápidas, morosas...
Áridas, floridas, frescas, em fogo... 
Sempre no sonho de chegar ao cimo.
Sempre o cimo parecia inatingível.
E foi-o tantas vezes...
E tantas vezes chegada, me emocionei!
 
Quantas escadas inventei  
para encontrar o caminho lavado!
Quantas escadas colori de verde, rosa, azul, branco...
E me via desfrutar da leveza das coisas sonhadas.           Quantos sonhos! Quantos desalentos!
Quantas mágoas! Quantos sorrisos!
Escadas da minha vida...

                                                 
                                                                                 lia  mar




sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

RENOVAÇÃO


Rendida à passagem do tempo!
Meus ramos nodosos
fendidos, gastos na cor...
Exibo-me na consciente 
entrega à vida.
Sei o meu espaço.
Sei a minha essência.
E cumpro-me num
renovar de energias.                 

A cada Primavera ponho
o meu vestido de festa
bordado com delicadas rendas
de verdes matizes.

Algum olhar se deterá
em mim... Um sorriso
se abrirá da penumbra.
Sentir-me-ão bela.
Ser bela é estar aberta  
e acolher o sol e o orvalho 
transparente da manhã.
Abro-me em levíssimas e 
róseas flores de onde 
meus frutos brotarão.

                          lia mar