NUDEZ
A nudez que da árvore meus olhos perscrutam
tem sabor cinzento a vida que desiste.
Um baixar de braços cruamente exposto
Uma súplica fugaz de um sol esmaecido.
Vejo-me caminhar em lentos passos
cuidadosa como quem não quer rasgar
a pele nodosa e dura que resiste ao frio
ao orvalho às neblinas da manhã densa.
A seiva que em ti circula como um rio
segreda anseios de enlevados luares
rumores de céus e de eternas fontes
de anémonas de flores de fogosos mares.
De tanto te olhar me misturo e me confundo
Não sei se és tu se sou eu quem assim é.
Se são tuas se minhas as mil vidas
que em mim sonhei viver e abraçar.
lia mar
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