domingo, 25 de novembro de 2012

QUE COISA...


                 Que coisa tão grave me constrange do amor?
               Não! Não vou abrir portas, nem túneis, nem janelas.
               Vou trancar-me com afinco nesta morada que é minha.
               Espreito o sol por uma fresta que vou abrir no telhado.   

               Vejo a luz, sinto a vida, mas ninguém me há-de olhar.

               Amo, amo com fervor. Não sei viver sem amor.
               Mas quem eu amo lá fora... fica cá dentro comigo.

                                                                                           lia mar



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

AS IMPONENTES ÁRVORES


As imponentes árvores vivem os ventos 
lancinantes, as chuvas diluvianas
os estios abrasivos e áridos em
igual entrega dos pequenos arbustos.           
Elas sabem que são robustas e esbeltas.
Passa por elas a  mesma agressividade
que as faz contorcer de dores e 
quase derrubar.
Não desistem esses furacões de vida!                              
E resistem estoicamente, impondo-se
na dignidade de guardiãs de vidas.

Uma infinidade de seres respiram 

seu puro perfume. Romances primaveris
segredos  do coração do mundo,
ternos amores, acontecem no aconchego da
sua frondosa folhagem. É vida que desponta!
Ao embalo dos seus ramos,  belas sinfonias
se fazem ouvir no raiar do dia
no aproximar do recolher da noite.

Na dádiva, a solidão não se instala.


                                                          lia mar

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PÁSSAROS DE FOGO


   E eu encostada na preguiça
  do esforço de levantar.
  O dia clareando sombras
  que a noite tecera.
  A vida fervilhando                                     
  no rebuliço da manhã.

  E um poema à minha espera.


  Um lindo poema em que o

  fim ficou suspenso.
  Os sonhos tresmalhados não
  conheciam limites de tempo
  nem de espaço.

  A fome e a sede se transformavam

  em fontes de cristalinas águas
  que quedam libertas das
  intocáveis e íngremes montanhas,
  onde pássaros de fogo
  habitam na paixão de existirem.

                                       lia mar

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

LEILÃO DE SONHOS

          
Vivo sonhos de estrelas                   
de gente que sente viver.
Meus olhos ávidos de luar
cegam ao brilho do sol.
Minhas mãos percorrem caminhos
que vêm do fundo do mar.
E essa mistura de algas
macias entrelaçadas
imprime no coração
esta vontade de amar.

                                  lia mar

sábado, 17 de novembro de 2012

POEMA

                                                                                               



               
Uma janela  aberta para o mar.                   Um jardim de anémonas         
A frescura que mitiga a          
secura a ausência a solidão.
                                     
                                      lia mar


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A MINHA CASA


                   Imóvel no sufoco contido.
               No interior de mim o ar se comprime
               em densa nuvem.
               Fecho os olhos. Redondas
               bátegas deslizam uma, a uma,
               nesta casa imensa que habito.
               O sol arrasta consigo crostas de desatino.
               A água lava as negras sombras
               de antigas dores.
               Na alvura das paredes teus
               versos desenham, pintam
               caminhos floridos.

               Ah meu amor como é linda
               agora a minha casa!
               Entra. A porta abre-se em abandono e
               fragrância de suaves magnólias.

                                                        lia mar


terça-feira, 13 de novembro de 2012

MANHÃ PRIMORDIAL



         Na manhã primordial
Atravessou a passagem da dor.
E embalada pelo coração
Na ternura dos braços de sua mãe
Sorriu-lhe.
Sorriram ambas na cumplicidade
Do primeiro momento secreto.
Agarrou da carne que também era sua
Sugou do néctar que se lhe oferecia.
Era o nicho do mundo.
O melhor dos melhores!

Menininha, a crescer, olhava
A vida – pedaços coesos, desgarrados…
             Que me está a acontecer!?
             Que me sinto estontear.
Tenho medo, mas corro.. corro…


        Busco o sol busco a lua
Busco o mar e as estrelas
Busco a montanha a liberdade
Busco caminhos de luz.

Olho a imensidão do Universo
E me perco de mim mesma.
Nasci em embalos de mar
Em sorrisos de luar. 
Onde me poderei encontrar.


                                        lia mar                                                                                                          


                                                                                                                                                                        

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

DESENHAR


Desenhar... Pintar...
Murmurar
na tela branca do silêncio
a imagem sufocada
no longínquo além do ser.

Tarefa árdua, mas sublime!
                                                        
Pela pintura me descubro
me digo
me dilato para além de mim.
O meu eu inteiro
arrebatado pela musicalidade da cor
emerge em toda a sua claridade.

Cada pedacinho de tela,
cada tonalidade que brilha,
são a dimensão humana que me reveste
na minha sensibilidade,
nos meus sentimentos,
no meu amor à vida.
                                          
                                                 lia mar
                                         (À minha amiga) 


RAMOS


             
Húmida graciosidade!
Os ramos das minhas árvores
ondulam em constante harmonia       
ensaiando a dança da vida.
De vestes festivas em
matizes de verdes fluídos
exibem a sua
majestosa beleza.

                           lia ma



PORTUS CALE



                  Esta cidade que me entristece e envaidece
               Beleza agreste e doce!
               Onde meus sonhos viveram e se foram.
               Onde o sonho tem terra de acontecer.
               E a alma voa em líquidas marés.

               Separa e aproxima.
               Tão extensa a distância!
               A estrada de água onde os olhos
               se perdem evasivos, saudosos...
               Buscam lenitivo na imaginação do ser
               na dor da saudade no longe.


                lia mar