domingo, 16 de dezembro de 2012

UM LEGADO... UM GRITO!


Quantos gritos saíram já do peito dos portugueses?
Quantos gritos abafados ficaram nas lágrimas
que caíram no chão barrento de toda a sujeira política?
Corações sufocados no amanhecer do sonho enlutado.
Desespero, raiva, desilusão no túnel profundo da desconstrução.
Choramos, rimos, fazemos humor da nossa própria desventura.

Como somos grandes e corajosos, sofredores de alma cheia de vazio!
Tão crédulos nas promessas dos carrascos profissionais!
- Inocência cega que não quer enxergar o óbvio? -
E agora se quedam silenciosos numa extrema pobreza.
Famintos do essencial, com o estômago embrulhado
em altas marés de sal, de praias batidas pela tristeza.

Onde está a tua força, a tua determinação, Povo do meu sentir?
A tua alma de aventura, as tuas armas de guerreiro, deixaste
que tas roubassem e contra ti as arremessassem?
Meu Portugal de meninos que enganam a fome
em brincadeiras de recreio e estremecem sorrisos
nos olhos brilhantes, agarrando o pão da primeira refeição!

E a escumalha continua a lançar víboras e lavas de vulcões
vendavais de certezas que emudecem as gentes e as fazem em cinzas.
Quero ver este Povo de lusitanas raízes sair do torpor
em que caiu e gritar o seu pensamento, romper as correntes
que tolhem as suas vidas. Fazer a guerra da sua existência.
Somos Potugalidade! Somos Portugal! Somos pessoas inteiras!

                                                                                        lia mar

                                                      

Sem comentários:

Enviar um comentário