Que coisa é o relógio?
Um regulador de vida?
Que rouba o tempo momento a momento
naquele compasso ritmado,
aprisionado em minúsculas gaiolas douradas;
ou em caixas enormes que compactam o ser?
Que diz quanto já passou e
mostra quanto há para a frente?
Não! Não me acenem com caixinhas do tempo
que me sufocam o ar que respiro.
Que anulam as memórias e as emoções.
Dentro de mim mora um relógio.
Um livro vivo sem tempo.
Muitas páginas escritas,
desenhadas, ilustradas...
Páginas densas, outras abrem-se
à leveza das manhãs ensolaradas.
Quantas coisas belas! Outras tristes…
Páginas emolduradas de afectos!
Arrancaria algumas folhas…
No livro há muitos espaços abertos.
E florirão flores. E rios cristalinos
sorverão o verde dos bosques.
Pássaros esvoaçam leves e
segredam melodias.
Nele, poderei compor desacertos,
sofrimentos da interioridade.
É onde os momentos se condensam
em linha recta. Como que acontecidos
de uma só vez.
Está tudo lá, no livro.
Livro sem fim.
Livro em contínua laboração.
lia mar
E florirão flores. E rios cristalinos
sorverão o verde dos bosques.
Pássaros esvoaçam leves e
segredam melodias.
Nele, poderei compor desacertos,
sofrimentos da interioridade.
É onde os momentos se condensam
em linha recta. Como que acontecidos
de uma só vez.
Está tudo lá, no livro.
Livro sem fim.
Livro em contínua laboração.
lia mar

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