sábado, 29 de dezembro de 2012

CONSCIÊNCIA DE SER


Pernas insignificantes, tronco quadrado, 
quase anão, rasteirinho junto ao chão.
E a minha cabeça crescia.. crescia...
Os olhos redondos, sempre abertos
perscrutavam por entre opacas multidões
um mundo real, liberto de muros e de medos.

Construí a minha bicicleta com 
todo o amor e engenho.
Não tenho pés. Tenho minúsculas rodas
que me rolam e me seguram à terra.
Minhas finas pernas, agora gigantes
elevam-me acima do mundo.
Meu olhar dilata-se para além de mim.

Assim caminho a vida na incessante 
busca do Universo, da consciência
real das coisas. Dói tanto, às vezes... 
Outras, inunda de luz infinita.                     
Vejo o feio e a dor mais lancinantes.
Vejo o belo e a felicidade mais intensos.

Daqui, da minha bicicleta pernalta
com o meu sorriso, o meu calor, os 
meus sonhos, a minha entrega,
estendo o meu abraço de alma solidária.

Agarro bem forte os sentires universais.
Encho o coração na dilatação suprema.

                                            lia mar
                              (A propósito de uma imagem)

Sem comentários:

Enviar um comentário