Pernas insignificantes, tronco quadrado,
quase anão, rasteirinho junto ao chão.
E a minha cabeça crescia.. crescia...
Os olhos redondos, sempre abertos
perscrutavam por entre opacas multidõesum mundo real, liberto de muros e de medos.
Construí a minha bicicleta com
todo o amor e engenho.
Não tenho pés. Tenho minúsculas rodas
que me rolam e me seguram à terra.
Minhas finas pernas, agora gigantes
elevam-me acima do mundo.
Meu olhar dilata-se para além de mim.
Assim caminho a vida na incessante
busca do Universo, da consciência
real das coisas. Dói tanto, às vezes...
Vejo o feio e a dor mais lancinantes.
Vejo o belo e a felicidade mais intensos.
Daqui, da minha bicicleta pernalta
com o meu sorriso, o meu calor, os
meus sonhos, a minha entrega,
estendo o meu abraço de alma solidária.
Agarro bem forte os sentires universais.
Encho o coração na dilatação suprema.
lia mar
(A propósito de uma imagem)
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