Recordo com doçura imensa
o momento em que saiu
de dentro de mim,
como o mais belo poema,
o meu primeiro maravilhoso Tesouro.
E mais uma primeira vez recordo
com a mesma doçura imensa
o momento em que saiu
de dentro de mim,
como o mais belo poema,
o meu outro primeiro maravilhoso Tesouro.
Cada uma das vezes
na vivência plena e única,
foi sempre uma primeira vez.
Um deslumbramento
de inacreditável beleza!
De imaculada existência!
De profunda grandeza!
Em êxtase de contemplação...
Fragilidade de uma força
que, indelevelmente, se impunha.
Perfume natural e doce
que dos meus Tesouros emanava.
A pele de um macio incomparável.
A suavidade em toda a sua ternura.
A perfeição total!
Um sentir intenso afagou o meu eu
inteiro e grande.
O sentimento profundo de plenitude!
Em mais momento algum, este sentimento
percorreu as veias da minha alma!
lia mar
Na manhã do futuro
o alvorecer da luz clara
em apoteose magnífica
emerge para a vida
num contínuo renascer.
lia mar
Por entre doiradas searas
emergem leves, ondulantes,
num hino de esplendor,
tímidas rubras papoilas.
Olham o sol com gratidão.
Transmitiu-lhes a força
a coragem, o calor, a luz.
Libertadas do abrigo da
terra maternal e morna
que pela sua escuridão, as
mantinha no sono cálido de
onde era urgente despertar.
Ei-las agora, frágeis e belas!
Harmonia natural em ondas de
simplicidade, de grande vivacidade.
Puro deleite dos olhos!
Um crescendo de sensações
incontidas no coração que
se predispôs a acolhê-las
numa entrega sem regras.
Suavidade, deslumbramento
e um intenso sorriso de alma.
Encontro estonteante
carregado de magia.
Ei-las, as rubras papoilas!
lia mar
Procuro-te, não te encontro.
Invoco-te, não respondes.
Espero-te na imensidão dos dias
na escuridão das intermináveis noites.
Preparei meu porto
para receber teu barco.
Olho o longe...
Não vislumbro o barco.
Não enxergo o timoneiro.
E eu, flutuando em terra
secando meus olhos
cansando meu corpo.
Minha alma num sopro.
lia mar
O sonho projecta o ser
para além de si mesmo.
Brilham sorrisos, adensam-se
inseguranças.
O sonho transporta a magia
de não se saber exactamente
o que esperar.
Caminhamos de frente para a luz
que brilha no profundo eu.
Seguimos o fio de luz
numa quase inconsciência.
Na certeza do que queremos.
E a pequena luz bruxuleia.
Torna-se intensa, ou quase se apaga.
O brilho mantém a força.
A vontade vence medos.
E a pequenina luz cintila.
Cresce. Permanece forte.
São clarões visionários!
Nasce no coração a alegria
imensa de existência cumprida.
lia mar
Um sol líquido
Aroma de flor
Transparência doirada
Doçura inigualável
Pura delícia dos sentidos
Voos de liberdade...
lia mar
Na asa do vento
volteia a palavra
em coloridas formas.
Na alma da ave
a palavra é o
tom da melodia.
lia mar