domingo, 10 de março de 2013

VAZIO


Dorme ainda o casario na
manhã que emerge envolta           
na obscuridade húmida.
Vazio o jardim.
Mutiladas as árvores
abandonadas à sua
grandiosidade solitária.
Já nem abrigo são.
- os pássaros as deixaram -.

Verde da relva...
Castanho das folhas no chão
tombadas...

O silêncio dói.
Na raiz do eu, o só se constrói.
Asas que já o não são
se quedam.
O voo submerso na
anulação de ser.

                    lia mar

BUSCAR O QUÊ



                                        





Buscar o quê, se nem sei bem?
Na passagem do tempo
busco-me.
Em mim, nas pessoas
nos espaços infinitos
no silêncio adormecido da noite
no despertar do pensamento.
E onde me encontrar?...
                                                                    
                          lia mar


                                                                                                          

CORRE LÍQUIDO O TEMPO




Corre líquido o tempo...                   
E a vida acontece
Constrói-se
Sonha-se
Sofre-se
Vive-se...
               
                       lia mar

sexta-feira, 8 de março de 2013

QUEM SABERÁ DIZER-ME?


Na minha frente o calendário
não me dá respostas.                                               
Será como a história do
mal-me-quer, bem-me-quer?

É este ou aquele?

E o gato persegue o rato
e não chega o dia de se encontrarem.
E não chega o momento de eu descobrir:
é este ou aquele?

Quem saberá dizer-me?

A lua? Talvez. Mas está tão longe... Tão fria!
O sol? É tão quente que a mente queima.
O mar? Tão louco que enrola a vida.
O vento? Tão veloz que arrasta o sonho.
A brisa? Tão meiga que me afaga inteira.
O melro? Tão livre que o tempo não é tempo.

Quem saberá dizer-me?

                                                                        lia mar

quinta-feira, 7 de março de 2013

A VIDA NÃO É


A vida não é. Acontece!

Vive-se o agora. O antes 
são os fios ténues delicados 
ou vigorosos e firmes
perlados de gotículas de orvalho
temperados pelo sol da manhã 
pelos ventos inclementes.
- marcas indeléveis com que se 
foi tecendo a teia da existência.
Porto ancoradouro da hora presente
onde o devir buscará nichos.-

Novos fios emergem se entrelaçam 
e pedaços de teia vão ganhando 
novas formas novos contornos  
novas cores novas musicalidades.

Um espanto não sei se de 
inquietude se de maravilhoso
sempre espreita em cada
curva da imensa estrada...

                             lia mar   

                             

terça-feira, 5 de março de 2013

O DIA



                                 O dia despertou serenamente lindo!

O astro de fogo assumiu claramente

o seu brilho doirado.

E eu sinto-me emergir na leveza da

minha insignificância universal.

                                            

                                   lia mar 


domingo, 3 de março de 2013

FRESCURA DO MAR



Frescura do mar no imaginário.
O sol, a cadência certa das 
ondas beijando a areia nua.
À noite adormecida
velada pela lua.
                    
                                 lia mar