sexta-feira, 18 de julho de 2014

ESPERA

Acordei na claridade do sol.
Meu coração cobri com o vestido de festa.
Emoldurei-o com uma grinalda de flores silvestres.
E permaneci assim o dia inteiro.
Assim, perfeita e linda
preparada para o encontro da noite.

Em espessas brumas chegou a noite.
A espera iniciou o seu caminho solitário.
Os sinais que enviei pelos pássaros
perderam-se no emaranhado da incerteza.

Doeu a lonjura da espera.
Perdeu-se o meu olhar na ausência de ti.
Quedei-me numa serena tristeza.

Minhas asas
tombadas
arrastadas
na folhagem fofa do jardim.
                                             lia mar
                                         


domingo, 13 de abril de 2014

SONÂMBULA

Sonâmbula percorro espaços de sombra.
Passo por entre escombros.                              
Asas minhas desfeitas
jorradas em leito de lama.

Sonâmbula de olhos abertos
perdida em labirintos
meus passos sem chão suspensos
se afundam.

Nem mares de corais
Nem jardins de anémonas
Nem ondas de branca espuma
Nem praias de sol.

Contra rochedos me debato.
Agarro lodos, estrelas despedaçadas
que minhas mãos não sustêm.

Minha alma vai com as marés
e em profunda inanição vem
pousar no vazio da areia.

                              lia mar